sábado, 24 de novembro de 2007

Ninguém Merece

Comer algo que não lhe apetece...
Ninguém merece
Ter um cobertor que não lhe aquece...
Ninguém merece
Saber que é inevitável que se envelhece...
Ninguém merece
...E então ter um membro que só depois de morto enrijece...
Ninguém merece
Ter político que, em quatro anos, enriquece...
Ninguém merece
Ter um povo, que nas eleições, de tudo esquece...
Ninguém merece
Gastar milhões em um foguete que sobe mas não desce...
Ninguém merece
...Enquanto uma legião de famintos, sem comida, permanece...
Ninguém merece!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Nós gostamos

Nós gostamos do som da clarineta, do sax e da trombeta
Gostamos da orquídea, da rosa e da violeta
Gostamos de ver o tempo escorrendo na ampulheta
Gostamos de Jorge Amado e da sua personagem Tieta
Gostamos da história de Romeu e Julieta
Gostamos das rimas e de todas as suas facetas...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O Velho e o Tempo

...e sentou-se à sombra daquela árvore soboreando as frutas caídas na grama macia.
Deitou-se... lembrou de tudo que vivera até aquele momento.
Lembrou-se da vida sacrificada, do trabalho duro de sol a sol no campo...
Lembrou-se dos seus amores... do grande amor de sua vida que já havia partido então... dos momentos felizes vividos juntos, mesmo perante às dificuldades... de como era mágico quando faziam amor... da primeira vez... dois jovens apaixonados ansiavam descobrirem-se, dois corpos nus... tão quente e rápida como uma explosão.
Lembrou-se das brincadeiras de criança, de como tentava imitar seu pai...
Lembrou-se de sua amada ainda criança, não sabia ainda a importância que ela teria em sua vida... cada qual crescia com seus próprios sonhos.
Lembrou-se dos dias em que se sentava à sombra daquela mesma árvore e soboreava com o mesmo prazer aquelas frutas. Eram necessárias as duas mãos para segurá-las...
Não lembrava nada além disso... mas sentiu-se nos braços de alguém... e sentiu a água escorrendo em sua cabeça...
Então lágrimas desceram em seu rosto, desceram guiadas pelos sulcos que o tempo, impiedoso, construiu ao longo de sua vida... até encontrar dois sulcos ainda maiores e mais profundos... formados anos a fio... toda vez que ele sorria.
Partiu, então... com a mesma inocência da chegada.

Inspirado no vídeo clip da música “Return to Innocence” – Enigma, acesse o link e assista:
http://www.youtube.com/watch?v=soIVFch-G3E

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Relógio

Andar pra frente, andar a pé...
Exceto a ré, lógico movimento...
Os relógios só marcam o tempo?
Escravizam ou padronizam a todo momento
Giram os ponteiros como rodas de vento
Giram num giro que não tem fim
Quantos giros ainda dará para você ou para mim?
É lógico o tempo do relógio biológico
Numa loja de relógios, logicamente, ninguém sabe ao certo...
Qual daquelas é a hora certa.