quinta-feira, 24 de abril de 2008

"Quase!"

No dia 14 de março de 2008 postei um texto recebido via e-mail atribuído a Luís Fernando Veríssimo intitulado “Quase”, eu o postei com o título: ”Pensamentos Centrados de Luis Fernando Veríssimo.”
Como sempre faço, fui ao Google e procurei o texto para averiguar a autoria, e a minha pesquisa encontrou várias páginas atribuindo este texto ao Luis Fernando Veríssimo. Não tive dúvida, postei-o entre aspas como o nome do “autor” em negrito.
Há uma semana, assistindo a uma entrevista com o renomado escritor, descobri que o texto não era dele. Ele contou que muitas pessoas já o elogiaram por conta do “Quase”, uma senhora declarou que odiava tudo que ele escrevia até ler, na internet, um texto que adorara, o “Quase”, uma turma de formandos o convidou para ser seu patrono e na última página do caro catálogo de formatura, como uma homenagem a ele, lá estava, inteiro, o “Quase”. Ele não teve coragem de desiludir a garotada.
O mais impressionante desta história foi que uma escritora francesa reuniu numa coletânea textos e versos de brasileiros, entre os quais Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, e lá estava o Quase "de Verissimo", que na tradução virou Presque. O cronista gaúcho ganhou o volume da própria autora no Salão do Livro de Paris.
A verdadeira autora é Sarah Westphal Batista da Silva, a “saga” de seu texto começou em abril de 2002, numa sala de aula em Florianópolis. E a "inspiração" para a escrita não foi das melhores: "um grande fora" de um rapaz com quem ficava havia três semanas. No dia seguinte à separação, durante uma aula de Português no cursinho, a professora escreveu no quadro a transcrição fonética da palavra quase: /kwaze/.
– Na hora em que olhei aquilo escrito no quadro-negro pensei: "meu Deus! eu odeio esta palavra!" – afirma.
Um segundo depois, pôs-se a escrever a crônica Quase, como um desabafo e para expurgar a palavra maldita. Afinal, quase houvera um namoro, quase tudo dera certo. Terminado o texto, Sarah passou o caderno às amigas, que leram e gostaram. Um mês depois, encorajada por elogios, deu o mesmo caderno para o professor de redação ler a crônica em voz alta para a turma. Foi um sucesso. As pessoas começaram a pedir o texto. Sarah o enviou por e-mail. A partir daí, não se sabe mais nada.
– O que eu sei é que um ano depois, mais ou menos, uma amiga apareceu lá em casa com o texto com a assinatura do Verissimo! Achei aquilo esquisitíssimo. Em seguida, um monte de gente veio dizer que tinha recebido um e-mail com o Quase assinado pelo Verissimo – afirma.
Sarah conta que ficou envergonhada, pois depois de um certo tempo já não gostava mais do texto e não o achava digno de um escritor do talento de Luis Fernando Verissimo. Hoje, mantém a opinião, com arroubos de autocrítica, apesar do elogio que o próprio cronista fez à redação em sua coluna no jornal Zero Hora.
– Acho o texto primário, previsível e o fim é meio brega. O português é muito caseiro, breguinha. Mas, quando o escrevi, fez muito sentido para mim. Era muito bonito – diz Sarah.
Certo dia, entrou na comunidade do escritor gaúcho no Orkut e viu o relato de uma leitora. A internauta dizia que só passara a acompanhar Verissimo na imprensa depois de ter lido o Quase. Sarah respondeu ao comentário afirmando ser ela a autora do texto. A maioria não acreditou.
O fato é que ela já nem liga mais por não receber os elogios do famoso texto. Há poucos meses, caiu-lhe em mãos o diploma de formatura de 2004 do antigo colégio, o mesmo em que tempos atrás escrevera Quase. A crônica estava impressa no diploma, com a assinatura de Verissimo.
– O pior é que continuo encalhada. Eu já poderia ter escrito uma Bíblia sobre os foras que já recebi – brinca.

Mais detalhes desta história no link abaixo:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=323AZL004

ps.: Já corrigi a injustiça do dia 14 de março de 2008, agora o post está intitulado: “Pensamentos Centrados de Sarah Westphal Batista da Silva”

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Analfabetismo no Brasil

O analfabetismo tem, no Brasil, números impressionantes, são cerca de 15 milhões de analfabetos, isto sem contar os chamados "analfabetos funcionais" aqueles que têm nível de habilidade de leitura e escrita muito baixos, ou seja, conseguem identificar enunciados simples, mas são incapazes de interpretar um texto mais longo ou com alguma complexidade.
Em 2003 apenas 25% dos brasileiros com mais de 15 anos tinha o pleno domínio das habilidades de leitura e escrita.
Algumas iniciativas, apesar de não serem inovadoras, merecem aplauso, como por exemplo do apresentador Luciano Huck que promove o "Soletrando", campeonato brasileiro de soletração.
Dá gosto de ver as crianças no Brasil inteiro empenhando-se, participando das seletivas estaduais até chegar à grande final. É um evento que mobiliza as escolas pelos quatro cantos deste Brasil.
Mas o que cada um de nós pode fazer?
No meu entender são ações simples do nosso dia-a-dia como ajudar alguém próximo a ter acesso à educação, doar livros já lidos, pagar corretamente seus impostos e exercer a cidadania cobrando dos governantes o correto uso do dinheiro público em relação à educação.
Uma de suas armas a favor da erradicação do analfabetismo é o seu voto, pense bem, será que um governo que tem como principal bandeira o assistencialismo quer mesmo acabar com o analfabetismo?

leia também: "ADJETIVO" http://acrosticomania.zip.net

domingo, 6 de abril de 2008

SUFOCO!

Estava fazendo a viagem rotineira naquele trem velho e sujo. Todos os dias era aquele sufoco, pessoas se acotovelando, disputando espaço, aquele calor insuportável, as janelas fechadas.
Num dos túneis o trem parou... As parcas luzes se apagaram, o ventilador de teto parou.
As pessoas desesperadas desceram pelas poucas janelas que ainda funcionavam, até o maquinista abandonou o trem.
Enquanto andávamos na escuridão algo impressionante ocorreu! Vimos a luz no final do túnel e o trem, sem maquinista, começou a andar, e foi embora! nos abandonou!
A central deve controlá-los à distância, eles são como brinquedos de controle remoto.
Sem opção caminhamos, então, até a próxima estação.
Finalmente! ar puro! Só que as pessoas à volta não demonstraram o menor apreço, via-se em seus rostos a indignação e o desprezo...
Pensei então: Como é dura a vida de um pum! Estou farto de ser um fartum!