sábado, 27 de dezembro de 2008

"Desejo" de SERGIO JOCKYMANN

"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.

Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas a medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.

Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.

Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.

Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.

Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.

Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.

Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.

Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.

Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga "Isso é meu",
Só para que fique bem claro quem é dono de quem.

Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.

Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E que quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar".

IMPORTANTE: esta poesia, de autoria de Sergio Jockymann, publicada em 1980 no Jornal Folha da Tarde, de Porto Alegre-RS, circula na internet como sendo de autoria de Victor Hugo.

8 comentários:

http://oscastelosdeareia2.zip.net disse...

Feliz 2009.......
Um beijão e um abração....mhomana.

Desejo é uma forma de poder.......
Toda forma de poder é uma forma de morrer por nada.

Fernanda disse...

Que bonito...e sábio. Retribuo esses desejos, Paulo.
Desejo que tenha um ano 2009 muito feliz, com saúde, paz, amor e amizade, assim como para todos os que ama.

Feliz Ano Novo!
Bjos

Sergio disse...

Ola, Paulo!

Que desejos assim sejam eternos em 2009 para todos nós.

Um abração!!

Claudio Costa disse...

Retribuo-lhe os bons votos e que tenha um 2009 especial!

Márcia(clarinha) disse...

Eu desejo que nunca deixemos de desejar...
feliz 2009!!
Obrigada pela presença e carinho constante, saúde e paz para todos os nossos queridos

lindos dias
beijos

Lino disse...

Se todos os desejos se concretizassem, acredito que seríamos plenamente felizes. E que você os realize, também.

Silvia disse...

O verdadeiro autor é Sérgio Jockyman!

Paulo disse...

Obrigado Silvia

Na época em que postei vários endereços atribuíam este poema ao Victor Hugo.
Essa internet é realmente poderosa e ao mesmo tempo imprecisa.
Você sabe que uma poema intitulado "Quase" foi atribuído ao Luís Fernando Veríssimo e até publicado no exterior em uma coletânea com este crédito, e, na realidade foi escrito por uma estudante de Floripa, a Sarah Westphal?
Um abraço!