sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Preconceito

Caros leitores, estou meio afastado... mas retorno em breve com novidades.

Pretos, brancos, amarelos...
Raças, credos...frágeis elos
Enquanto o ébano e o marfim...
Convivem lado a lado nas teclas do piano
Odio e rancor sem fim...
Norteiam o coração do ser humano
Cristo pregou o amor ao semelhante
E o Homem não entendeu...
Inverteu... pensando estar no semblante
Todo valor que Deus nos deu.
O amor é Deus presente em todos os instantes

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pensamentos sobre reflexões...

Outro dia recebi um e-mail intitulado: "Reflexão"

"Faça mais do que existir - VIVA."
"Faça mais do que olhar - OBSERVE."
"Faça mais do que tocar - SINTA."
"Faça mais do que escutar - OUÇA."
"Faça mais do que ouvir - COMPREENDA."

Li, achei muito legal, mas pensei que tais reflexões mereciam alguns pensamentos...

Faça mais do viver - AME...
Faça mais do que observar - APRENDA...
Faça mais do que sentir - EXPRESSE-OS...
Faça mais do que ouvir - ACALENTE...
Faça mais do que compreender - PERDOE...

quarta-feira, 8 de julho de 2009

MAN IN THE MIRROR


Man In The Mirror (tradução)
Michael Jackson
Composição: Siedah Garrett And Glen Ballard

Homem No Espelho

Eu vou fazer uma mudança de uma vez em minha vida.

Vai ser bom de verdade, vou fazer uma diferença,

Vou fazer isso direito...Enquanto eu dobro a gola do meu casaco de inverno favorito,

Este vento está soprando minha mente.

Eu vejo as crianças nas ruas, sem o suficiente para comer.

Quem sou eu para estar cego,

Fingindo não perceber suas necessidades?

Uma indiferença de verão, um pião [feito] de uma garrafa quebrada E uma alma de homem.

Eles seguem uns aos outros no vento, você sabe,

Porque eles não tem nenhum lugar para ir.

É por isto que eu quero que você saiba:

REFRÃO:

Eu estou começando com o homem no espelho,

Eu estou pedindo a ele para mudar seus modos.

E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:

Se você quer fazer do mundo um lugar melhor,

(Se você quer fazer do mundo um lugar melhor)

Olhe para si mesmo, e então faça uma mudança.

(Olhe para si mesmo, e então faça uma mudança)

Eu tenho sido vítima de um tipo de amor egoísta,

É hora que eu compreenda

Que existem alguns sem casa;[estou sem] nenhum centavo para emprestar.

Seria realmente eu, fingindo que eles não estão sozinhos?

Um salgueiro profundamente marcado [com cicatrizes],

O coração partido de alguém

E um sonho desanimado (sonho desanimado).

Eles seguem o exemplo do vento, você percebe,

Porque eles não têm nenhum lugar para ficar.

É por isto que estou começando comigo,

(Começando comigo!)

REFRÃO

Estou começando com o homem no espelho,

Estou pedindo a ele que mude seus modos,

(Mude seus modos!)

E nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:

Se você quer fazer do mundo um lugar melhor,

Olhe para si mesmo, e então faça aquela...

(Olhe para si mesmo, e então faça aquela...)

Mudança!Estou começando com o homem no espelho,

(Homem no espelho - oh sim!)

Estou pedindo a ele que mude seus modos,

(Melhor mudar!)nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:

(Se você quer fazer do mundo um lugar melhor...)

(Olhe para si mesmo e então faça a mudança),

(Você tem de entender bem, enquanto tem tempo),

(Porque quando você fecha seu coração),

Você não pode fechar sua... sua mente!

(Então você fecha... sua mente!)

Aquele homem, aquele homem, aquele homem, aquele homem...Com o homem no espelho...

(Homem no espelho, oh sim!)

Aquele homem, aquele homem, aquele homem,

Estou pedindo a ele para mudar seus modos...(Melhor mudar!)

Você sabe... aquele homem...

Nenhuma mensagem poderia ter sido mais clara:

Se você quer fazer do mundo um lugar melhor,

(Se você quer fazer do mundo um lugar melhor)

Olhe para si mesmo e então faça a mudança.

(Olhe para si mesmo e então faça a mudança)

Eu vou fazer uma mudança,Vai ser bom de verdade!

Vamos!(Mude...)

Apenas levante-se,

Você sabe.

Você tem de parar isso,

Você mesmo!(Sim! Faça aquela mudança!)

Eu tenho de fazer aquela mudança, hoje!

(Homem no espelho)

Você tem de

Você tem de não deixar seu próprio... irmão...

(Sim! Faça a mudança)

Você sabe -

Preciso entender aquele homem, aquele homem...

(Homem no espelho)

Você precisa

Você precisa se mexer!

Vamos! Vamos!

Você tem deLevantar-se!

Levantar-se! Levantar-se!

(Sim! Faça aquela mudança)

Levante-se e eleve a si mesmo, agora!

(Homem no espelho)(Sim! Faça aquela mudança!)

Vou fazer aquela mudança...

Vamos!Você sabe!Você sabe!Você sabe!Você sabe...

(Mude)Faça aquela mudança...

quinta-feira, 25 de junho de 2009

26 de junho - Dia Internacional do Combate às Drogas

Por que se droga?
Ninguém o ama? Você se ama?
Você é mais uma vítima deste mundo cruel ou apenas um aventureiro em busca de emoções fúteis?
Se está pensando em "só experimentar" CUIDADO!
Não subestime o poder da droga! Nem tente!
Se não dá valor à própria vida, pense ao menos naqueles que o amam...
Você acha que ninguém o ama?... Você se ama?
DEUS O AMA.


Diga não às drogas!...
R
espeite sua vida!...
O
nde está? Aonde quer chegar?
G
ozo da auto-estima perdida...
Assuma a condição que insiste em negar
S
egure firme a mão que lhe é estendida...

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Esses dias aí...

Ando meio preocupado
Com o joelho operado
Parado, impedido de correr
Alguém poderia dizer...
Que ótimo! ficar em casa
Sem fazer nada, sentado
Nunca fui sedentário
Nem dependente de endorfina
Agora devo ficar de molho, só de olho...
Talvez volte a nadar
Para recuperar a musculatura
Se o orçamento me impedir de continuar...
Devo ler bastante para melhorar a minha cultura
Mas com certeza volto a correr até o fim deste ano

sexta-feira, 24 de abril de 2009

TRABALHO

1.º de Maio - Dia Mundial do Trabalho


A data internacional surgiu após protestos e mortes de operáriosO Dia Mundial do Trabalho foi criado em 1889, por um Congresso Socialista realizado em Paris. A data foi escolhida em homenagem à greve geral, que aconteceu em 1º de maio de 1886, em Chicago, o principal centro industrial dos Estados Unidos naquela época. Milhares de trabalhadores foram às ruas para protestar contra as condições de trabalho desumanas a que eram submetidos e exigir a redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas diárias. Naquele dia, manifestações, passeatas, piquetes e discursos movimentaram a cidade. Mas a repressão ao movimento foi dura: houve prisões, feridos e até mesmo mortos nos confrontos entre os operários e a polícia. Em memória dos mártires de Chicago, das reivindicações operárias que nesta cidade se desenvolveram em 1886 e por tudo o que esse dia significou na luta dos trabalhadores pelos seus direitos, servindo de exemplo para o mundo todo, o dia 1º de maio foi instituído como o Dia Mundial do Trabalho.

Tanto suor derramado...
Raras vezes valorizado
Acabrunhado, o pobre operário...
Briga pelo salário minguado
Agora desempregado, tem o suporte do erário
Largou o trabalho pesado...
Hoje em dia... quem diria...
Ostenta feliz seu cartão do bolsa-família...

Por que se dá o peixe em vez de ensinar a pescar?
Por que não se investe em educação em vez de assistencialismo?

quarta-feira, 15 de abril de 2009

TIRADENTES

Tirar dentes era o teu ofício
Tirar as amarras que nos prendiam teu desígnio
Tiraste a desesperança do teu povo
Tiraste o medo que rondava de novo
Tiraram de ti tua liberdade
Como Cristo foste traído por um amigo
A semente da liberdade plantaste, teu grito ao longe ecoou
Teu sonho tornou-se realidade mais tarde...
Pela mão da mesma Coroa que te enforcou

domingo, 22 de março de 2009

SEM SAÚDE

Sem saúde não sou nada
Sem saúde não sou bom
Sem saúde não sou mau
Sem saúde não leio
Sem saúde não escrevo
Sem saúde minha cara é pálida
Sem saúde meu corpo é estático
Sem saúde não faço amor
Sem saúde só sinto a dor
Sem saúde nada tem graça
Sem saúde o tempo não passa
Deus, por favor, dê saúde a mim e aos meus

quinta-feira, 5 de março de 2009

08 de Março - Dia Internacional da Mulher

Caros leitores, pra quem ainda não sabe, eu escrevo também acrósticos no blog: http://acrosticomania.zip.net/ . Os textos a seguir são uma coletânea de homenagens à mulher que escrevi no acrosticomania. Tem um acróstico inédito de "MULHER" lá.

Mulher, tu és, de Deus, a mais bela criação
Quanta força!..., quanta delicadeza!..., contradição
De muitos homens, a salvação, de outros, a perdição
Deus nos criou sem alvoroço
Na paz celestial
O homem é o esboço
A mulher é a arte final

Mãe, amante, amiga: fortaleza
Unidade da família: riqueza
Luz que traduz todo amor, toda beleza
Homem eternamente apaixonado...
Escolheu viver a mortalidade ao seu lado
Repleto de felicidade ao ser, por você, amado

ROSA
Composição: Pixinguinha e Otávio de Souza

"Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor...
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza"...

Rara beleza... És tu, Mulher...
Oh flor... deixe-me sentir teu suave olor...
Se tu me quiseres... algum dia qualquer...
Abdico de tudo só para ser o teu amor

Este ano, novamente, o @crosticomania tem o prazer de homenagear as Mulheres que no próximo 08 de março comemoram seu Dia Internacional. Esta maravilha cuja receita está guardada a sete chaves por Deus. Esta receita aí, apresentada em forma de acróstico, é só uma brincadeira minha.

Meio quilo de razão, dez de emoção
Uma pitada de certeza, uma colher de contradição
Lágrimas a gosto; Isto posto:
Homem! Nunca bata! Pra amaciar a massa, basta carinho
Enquanto ferve... mexa devagarinho
Retire do forno com cuidado pra não estragar o pãozinho

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PASSEIO SOCRÁTICO (Por Frei Betto)

Ao visitar em agosto a admirável obra social de Carlinhos Brown, no Candeal, em Salvador, ouvi-o contar que na infância, vivida ali na pobreza, ele não conheceu a fome. Havia sempre um pouco de farinha, feijão, frutas e hortaliças. "Quem trouxe a fome foi a geladeira", disse.
O eletrodoméstico impôs à família a necessidade do supérfluo: refrigerantes, sorvetes etc. A economia de mercado, centrada no lucro e não nos direitos da população, nos submete ao consumo de símbolos. O valor simbólico da mercadoria figura acima de sua utilidade. Assim, a fome a que se refere Carlinhos Brown é inelutavelmente insaciável.
É próprio do humano – e nisso também nos diferenciamos dos animais – manipular o alimento que ingere. A refeição exige preparo, criatividade, e a cozinha é laboratório culinário, como a mesa é missa, no sentido litúrgico. A ingestão de alimentos por um gato ou cachorro é um atavismo desprovido de arte. Entre humanos, comer exige um mínimo de cerimônia: sentar à mesa coberta pela toalha, usar talheres, apresentar os pratos com esmero e, sobretudo, desfrutar da companhia de outros comensais. Trata-se de um ritual que possui rubricas indeléveis. Parece-me desumano comer de pé ou sozinho, retirando o alimento diretamente da panela.
Marx já havia se dado conta do peso da geladeira. Nos "Manuscritos econômicos e filosóficos" (1844), ele constata que "o valor que cada um possui aos olhos do outro é o valor de seus respectivos bens. Portanto, em si o homem não tem valor para nós." O capitalismo de tal modo desumaniza que já não somos apenas consumidores, somos também consumidos. As mercadorias que me revestem e os bens simbólicos que me cercam é que determinam meu valor social. Desprovido ou despojado deles, perco o valor, condenado ao mundo ignaro da pobreza e à cultura da exclusão.
Para o povo maori da Nova Zelândia cada coisa, e não apenas as pessoas, tem alma. Em comunidades tradicionais de África também se encontra essa interação matéria-espírito. Ora, se dizem a nós que um aborígene cultua uma árvore ou pedra, um totem ou ave, com certeza faremos um olhar de desdém. Mas quantos de nós não cultuam o próprio carro, um determinado vinho guardado na adega, uma jóia? Assim como um objeto se associa a seu dono nas comunidades tribais, na sociedade de consumo o mesmo ocorre sob a sofisticada égide da grife. Não se compra um vestido, compra-se um Gaultier; não se adquire um carro, e sim uma Ferrari; não se bebe um vinho, mas um Château Margaux. A roupa pode ser a mais horrorosa possível, porém se traz a assinatura de um famoso estilista a gata borralheira transforma-se em cinderela… Somos consumidos pelas mercadorias na medida em que essa cultura neoliberal nos faz acreditar que delas emana uma energia que nos cobre como uma bendita unção, a de que pertencemos ao mundo dos eleitos, dos ricos, do poder. Pois a avassaladora indústria do consumismo imprime aos objetos uma aura, um espírito, que nos transfigura quando neles tocamos. E se somos privados desse privilégio, o sentimento de exclusão causa frustração, depressão, infelicidade.
Não importa que a pessoa seja imbecil. Revestida de objetos cobiçados, é alçada ao altar dos incensados pela inveja alheia. Ela se torna também objeto, confundida com seus apetrechos e tudo mais que carrega nela mas não é ela: bens, cifrões, cargos etc.
Comércio deriva de "com mercê", com troca. Hoje as relações de consumo são desprovidas de troca, impessoais, não mais mediatizadas pelas pessoas. Outrora, a quitanda, o boteco, a mercearia, criavam vínculos entre o vendedor e o comprador, e também constituíam o espaço das relações de vizinhança, como ainda ocorre na feira.
Agora o supermercado suprime a presença humana. Lá está a gôndola abarrotada de produtos sedutoramente embalados. Ali, a frustração da falta de convívio é compensada pelo consumo supérfluo. "Nada poderia ser maior que a sedução" – diz Jean Baudrillard – "nem mesmo a ordem que a destrói." E a sedução ganha seu supremo canal na compra pela internet. Sem sair da cadeira o consumidor faz chegar à sua casa todos os produtos que deseja
Vou com freqüência a livrarias de shoppings. Ao passar diante das lojas e contemplar os veneráveis objetos de consumo, vendedores se acercam indagando se necessito algo. "Não, obrigado. Estou apenas fazendo um passeio socrático", respondo. Olham-me intrigados. Então explico: Sócrates era um filósofo grego que viveu séculos antes de Cristo. Também gostava de passear pelas ruas comerciais de Atenas. E, assediado por vendedores como vocês, respondia: Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Equilíbrio?

Tenho de trabalhar arduamente para alcançar meus objetivos
Tenho de dedicar-me à minha família
Tenho de preservar a minha saúde
Tenho de dar atenção aos meus amigos
Tenho de ler, tenho de escrever
Como é difícil estabelecer e administrar prioridades!
A busca incessante pelo equilíbrio pode causar desequilíbrio
Equilíbrio não é só um estado de espírito, demanda atitude também...
O tempo é tão curto... a vida é tão curta
A dúvida é companheira eterna das escolhas
E não adianta perguntar às pessoas... cada um tem de fazer as suas...
Privar-se agora para gozar depois? ou gozar agora pois ninguém sabe o dia de amanhã?
Ser ousado ou conservador? Não sei. Tenho muitas dúvidas, mas não deixo de fazer as minhas escolhas. Espero que você também faça as suas sem medo de errar, pois o erro quando admitido humildemente nos ensina muito e nos empurra pra frente.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Aparências... (Entrevista com Roberto Shinyashiki)


A revista Isto é publicou esta entrevista de Camilo Vannuchi.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

"Cuidado com os burros motivados"

Em "Heróis de Verdade", o escritor combate a supervalorização das Aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ -- Quem são os heróis de verdade?

Roberto Shinyashiki -- Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe. O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura. Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes. E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados. Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.
Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes. Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros. São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ -- O sr. citaria exemplos?

Shinyashiki -- Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos, empregado em uma farmácia . Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis. Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem. Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito "100% Jardim Irene". É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes. O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana. Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata? Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ -- Qual o resultado disso?

Shinyashiki -- Paranóia e depressão cada vez mais precoces. O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim. Aos nove ou dez anos a depressão aparece. A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança. Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos. Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas. Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ - Por quê?

Shinyashiki -- O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento. É contratado o sujeito com mais marketing pessoal. As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência. Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras. Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa. Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora. Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ -- Há um script estabelecido?

Shinyashiki -- Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ? "Qual é seu defeito?" Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal: "Eu mergulho de cabeça na empresa. Preciso aprender a relaxar". É exatamente o que o Chefe quer escutar. Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido? É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder. O vice-presidente de uma das maiores empresas do planeta me disse: "Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir". Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ -- Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki -- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento. Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados. Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ -- Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki -- Falta às pessoas a verdadeira auto-estima. Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa. Antes, o ter conseguia substituir o ser. O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom. Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer. As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam. E poucos são humildes para confessar que não sabem. Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim. Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ -- Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki -- Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis. Quem vai salvar o Brasil? O Lula. Quem vai salvar o time? O técnico. Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta. O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia: "Quando você quiser entender a essência do ser humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham". Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia. Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo. A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ -- O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki -- Exatamente. A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso. Hoje, muitas pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar suas vidas e se decepcionaram. A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ -- Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki -- Tenho minhas angústias e inseguranças. Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente. Há várias coisas que eu queria e não consegui. Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos). Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos. Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse. Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo. O resto foram apostas e erros. Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo. Um amigão me perguntou: "Quem decidiu publicar esse livro?" Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu. Não preciso mentir.

ISTOÉ - Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki -- O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las. São três fraquezas.
A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amado(a) e a terceira é buscar segurança. Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram. Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno. Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards. Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates. O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ -- Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki -- A sociedade quer definir o que é certo. São quatro loucuras da sociedade. A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais. A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder. O resultado é esse consumismo absurdo. Por fim, a quarta loucura: Você tem de fazer as coisas do jeito certo. Jeito certo não existe! Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade. Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito. Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento. Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema. Quando era recém-formado em São Paulo, trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes. Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte. A maior parte pega o médico pela camisa e diz: "Doutor, não me deixe morrer. Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz". Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada. Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas. Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida.